Vinculum

 

caoNão é exagero dizer que cada pessoa se define pelos vínculos que estabelece com coisas e pessoas.
Isso não quer dizer apenas “com quem” ela se relaciona, mas principalmente “como” se relaciona, isto é, a qualidade de seus vínculos - consistência, nutriência, "força".
A psicogênese da pulsão ao relacionamento se estabelece desde a vida intra-uterina e se desenvolve na primeira infância. Depois, na adolescência, tomamos consciência de que somos incompletos, já que nossa função reprodutiva não se completa sem a existência de uma outra pessoa: o OUTRO. É dessa forma, conscientes disso ou não, que vamos construindo vínculos... fortes ou não, ricos, produtivos, construtivos... ou não!"

Precisamos do outro permanentemente mesmo que não tomemos consciência disso, pois:

- Podemos precisar de um vizinho, que sequer conhecemos, para exibir nosso novo automóvel.

- Precisamos do outro para que ele aprecie nossa vitória e só por isso é buscaremos a vitória.

Nos relacionamos o tempo todo mesmo que não troquemos uma só palavra com alguém.

A busca da relação nos leva a construir ao menos um relacionamento mais intenso, numa relação afetivo-sexual, na tentativa de superar a utopia da integração – um vínculo total com um outro ser.

A qualidade com que nos relacionamos define, então, o CASTELO que construiremos, isto é, como será nossa expressão no mundo externo - real, concreto - o que seremos capazes de produzir - realizar!.

Nosso castelo é como a imagem de nós mesmos em um espelho e representa ainda nosso abrigo e domínio psíquico e material. Temos o sonho e a fantasia de que seja belo, forte, duradouro.

Por mais que seja nosso, um castelo não pode, no entanto, ser construído por uma só pessoa. O construímos a dois. Buscamos o outro para construirmos o nosso castelo.

É natural e desejável que busquemos essa realização assim como que consigamos chegar o mais próximo possível desse nosso sonho e é para que isso seja possível que criamos vínculos.

Não percebemos, no entanto, que somos parte de um sistema e a ele respondemos. Podemos por isso nos descobrimos... agindo de maneira a produzir um efeito bem diferente daquele que gostaríamos de produzir!

É preciso, então, estarmos atentos para a qualidade dos vínculos que construímos e como o mantemos. A qualidade desses vínculos acabará por determinar a nossa Qualidade de Vida. Se nossa qualidade de vida não está satisfatória; se estamos agindo porém conseguindo resultados opostos ao que desejamos, precisamos rever a qualidade dos vínculos que estamos desenvolvendo e o que efetivamente estamos mantendo.