Precisamos pentear nossos pensamentos assim como precisamospentear nossos cabelos. Ao acordarmos nos olhamos no espelho e temos certeza de que aquele não somos nós. Nós somos diferentes: nós somos como estamos quando nos vemos penteados. Mentimos para nós mesmos imaginando que somosdiferentes do que aparentamos quando estamos despenteados. Vendo de outro ângulo: não queremos imaginar que estamos com determinada aparência porque estamos penteados.
Ocorre o mesmo com os pensamentos. Conscientemente não toleramos a possibilidade de termos determinados pensamentos nem determinadas emoções. Felizes pela morte de alguém? Nem pensar! Querer o mal de alguém? Em pânico e maldizendo uma gestação? Mesquinhos, nós? Egocêntricos? Diante desses pensamentos queremos gritar: - “Não sou assim!!!” “Eu sou bom, correto, etc.”.
Gostemos ou não deveríamos aceitar que somos dessa maneira: não somos éticos, bonzinhos, caridosos, generosos, e muito menos politicamente corretos. Somos vaidosos e sentimos emoções que a nossa consciência considera feias, negativas e mesmo deploráveis. O pior mesmo é que não assumimos isso para podermos optar, conscientemente, sobre nossas atitudes e, ao invés, empurramos os pensamentos feios para o porão! A saída que encontramos para fugir dessa situação desconfortável (a mais fácil) é impedir que essas emoções venham à consciência. Quando fica muito evidente, isto é, quando beiram ou penetram na consciência algumas dessas coisas feias, precisamos pentear nossos pensamentos para que fiquemos mais apresentáveis a nós mesmos e aos outros.
Não importa o que façamos, sempre teremos uma explicação lógica adequada e coerente – pensamentos penteados – para o público externo e interno. Dessa forma, quem nos engana mais freqüentemente é nossa consciência e não o que está inconsciente.