O Vencedor (relações familiais)
Filmes

vencedorThe Fighter, 2010, EUA, direção de David O. Russell. Ganhou 2 Oscar em 2011 de melhor ator e atriz.

Algumas pessoas o vêem apenas como um filme de “superação”, a exemplo de “Rocky, um lutador” e inúmeros outros. Sim, pode ser visto dessa forma em uma visão primeira e superficial, mas este é um filme bem mais rico.

Não é um filme sobre o esporte (boxe) ou apenas conta uma história real. É sim um filme sobre as relações de família, sua complexidade e importância, onde podemos identificar alguns impulsores emocionais (inconscientes – que impedem, por exemplo, que Micky ganhe suas lutas).

Observe como Dicky, apesar de ser o “treinador” e apoiador do irmão, determina que Micky não ganhe lutas,

para não superá-lo e reduzir seu “status” de “orgulho de Lowell”. Apenas na luta final Dicky abandona seu egoismo e “liberta” o irmão para a vitória; ”Esta é a sua hora” ele diz.

 

 

Repetindo: é um filme rico e pode ser visto sob muitos outros ângulos. Já ouvi enfatizarem a “guerra entre os gêneros” como o ponto central do filme. Sim, o diretor divide a família comandada pela mãe Alice (Melissa Leo) entre os homens submissos e “explorados” e as mulheres “mesquinhas” (em uma das descrições).

Chamo a atenção para o casal Micky e Charlene: só quando se apaixona por Charlene, Micky torna-se capaz de um afastamento da sua família original (já que adquire a possibilidade de construir sua própria família). Mesmo que racionalmente os dados oferecidos indiquem que a família original de Micky atrapalha sua carreira, é Charlene o pivô do afastamento, à imagem e semelhança do que ocorre na realidade, em grande parte dos casamentos, nos quais a mulher “precisa” (impulso inconsciente), “trazer” o homem para a sua nova família, a que estarão construindo (isso é um fator de distúrbio nas relações do casal). Em alguns momentos o diretor mostra a condição colocada por Charlene: “ou eu ou eles”.

Em função desse e de outros detalhes é que este é um filme interessante como exercício de identificação de fatores emocionais (inconscientes) que acabam por determinar muitas de nossas escolhas, o que acaba desenhando nossos caminhos pela vida.