Mais
Contato
| Lulu e a Realidade |
| Filmes |
|
A sociedade moderna faz com que acreditemos que a única “verdade” é a “realidade” objetiva e normalmente acreditamos que é nessa realidade que vivemos, apesar dela misturar-se e confundir-se com a “nossa” realidade. No filme Totalmente Selvagem (Something Wild), de 1986, Melanie Griffith é Audrey, uma jovem que vive fortemente sua realidade própria e praticamente sequestra Jeff Daniels (Charlie, no filme). Charlie faz um Yuppie que acredita viver na “realidade objetiva” e, aos poucos, vai descobrindo seu mundo particular, suas emoções, enquanto, paralelamente, Ray Liotta (Ray Sinclair no filme), faz com que Audrey vá assumindo gradativamente um pouco mais da “realidade objetiva”, até que finalmente, Charlie e Audrey, encontrem o equilíbrio (assumindo o mundo emocional e a realidade objetiva de forma harmônica).
Em 2000 foi lançado Eternamente Lulu, também com Melanie Griffith, que também praticamente “sequestra” Patrick Swaize (Ben, no filme). Lulu vem de uma vida de internações por viver radicalmente no “seu mundo”, enquanto Ben passa por uma fase onde se prende (doentiamente) na realidade objetiva. O filme mostra a caminhada de ambos, Lulu e Ben, para aquela mesma harmonização da realidade objetiva com a “realidade” individual que construímos em nossa formação. Totalmente Selvagem tende a valorizar um pouco da contracultura das décadas anteriores e “Lulu”, mais recente, enfatiza o valor da vida emocional desde que em contato com a realidade objetiva. A “realidade objetiva” (o mundo externo) pode representar uma fuga da realidade interior, para algumas pessoas e, para outras, algo insuportável. Esses dois grupos, vivendo nesse desequilíbrio, tendem a agir de forma destrutiva. Pessoas que vivem intensamente o “mundo interno”, também em desequilíbrio, tendem a ser catalogadas pois são também destrutivas de alguma outra maneira. Podem estar nesse grupo as patologias hard como a esquizofrenia, e diversas formas psicóticas. Há alguns grupos de pessoas que transitam nesses dois mundos com certa consciência do que está ocorrendo. Podemos ver isso na obsessão pelo corpo perfeito, na Síndrome do Pânico, nos transtornos obsessivos-compulsivos, nos vícios (drogas ilícitas e também no uso compulsivo de várias drogas lícitas como, por exemplo, a anfepramona, álcool, etc.). Apesar da diferença “de idade”, tanto “Totalmente Selvagem” como “Eternamente Lulu” merecem ser vistos; oferecem excelente oportunidade para tecer considerações sobre nossa vida e... fazem bem.
Para M e M. |
