Educação (para a dependência)
Filmes

educacaoO filme inglês Educação (An Education), de 2009, dirigido por uma mulher dinamarquesa, Lone Scherfig, pode parecer, em um primeiro olhar, simplista, porém contando uma história ambientada em 1961, expõe nossas origens, nossa formação e explica porque somos ainda assim hoje.

Recomendo porque ele oferece a oportunidade de observarmos como somos formados e como “formamos” nossos filhos.

É interessante ver as contradições:

  • do pai – estimulando a filha a buscar independência financeira enquanto paralelamente se queixa do seu “fardo” de provedor e praticamente “empurra” Jenny para um relacionamento mais “sólido” financeiramente.
  • A mãe – com a natural sensibilidade feminina mais aguçada, percebe a inadequação do relacionamento de Jenny com David, mas cala-se diante da posição assumida pelo marido; não defende a filha e mostra sentimentos ambivalentes entre o que percebe e o que “deve seguir”, em função da sua própria história.
  • Jenny – Procura ser moderna e independente ao mesmo tempo em que se encanta ao ser apresentada ao mundo (protegida por um homem).

Ser conduzida ou andar pelas próprias pernas” é a questão que o roteiro do filme nos coloca.

Naturalmente não cito esse filme por uma questão histórica e sim pela questão real e presente hoje, de alguma forma amplificada na vida dos casais: na medida em que a “libertação” feminina se efetiva e as mulheres (a sociedade de maneira geral) definem a igualdade entre os gêneros, os homens esperam que essa igualdade ocorra em todos os âmbitos. Vivemos um momento de transição onde os homens deixam de ficar estupefatos diante da reivindicação feminina, passando a esperar (e mesmo cobrar, em muitos caso), a atitude feminina correspondente ao status alcançado.

De certa forma a estupefação de Jenny, e seu desalento ao perceber que a dependência tinha um preço, é o mesmo desalento de muitas mulheres de hoje, ao perceberem que a independência também tem um preço.

Essa ambivalência está muito presente em nosso cotidiano e compromete as relações de maneira sutil e insidiosa: o melhor é aprendermos a lidar com ela.