Matrix -O “Novo” Papel Masculino no Casamento
Filmes

A jornalista Glycia Emrich me questionou sobre o “casar ou juntar” (http://delas.ig.com.br/casar+ou+juntar/n1237491681377.html) e, entre os incontáveis fatores que contribuem para definir essa questão está o mundo simbólico que, por trás das nossas decisões racionais, acabam por influenciar sorrateiramente nossas escolhas.

Os papeis que assumimos são sim influenciados pela sociedade na qual vivemos e na qual desejamos estar inseridos, mas também num segundo nível, pelo que aprendemos na nossa formação, através da vivência que tivemos quanto ao relacionamento dos nossos pais e ainda pela memória que temos em outros níveis como, por exemplo, a memória que vamos chamar aqui de instintiva, do papel que nosso gênero representou no casamento vigente nos últimos 200 anos e se impregnou em nossos cromossomos.

 

 

 

Ao pensarmos na união com outra pessoa (casamento), é natural a dúvida quanto ao futuro. A imprevisibilidade nos leva a temer que nossos desejos não se concretizem e que nossos planos virem folhas mortas. Mesmo antes da imensa revolução pela qual passou a instituição casamento, mesmo quando ainda chamávamos a essa união matrimônio (unidade matriz), mesmo naquela época era comum o friozinho na barriga ao se pensar na união (não só o friozinho na barriga, mas também o desarranjo intestinal, passando por torção no pé, quebra de um braço ou perna, perda de emprego, e outras crises bem variadas).

As tentativas de superar a infelicidade matrimonial foram muitas e todas foram sepultadas, inclusive o “casamento aberto”, do qual vê-se ainda alguns raros experimentos. O “morar juntos” não tenta evitar a infelicidade, ao contrário, a promove, mas sua busca é alcançar a certificação (ISO2010).

A questão colocada hoje é que a equiparação social feminina que vem se processando mais rapidamente nas últimas décadas e conseqüentemente altera também o papel masculino, traz o novo e o desconhecido. Tanto o homem quanto a mulher vivem, neste momento, uma crise de identidade em relação aos seus papeis no casamento. Há uma informação objetiva, consciente e racional quanto a uma suposta igualdade entre o homem e a mulher e ainda um impulso instintivo que nos faz sentir o desejo de mantermos alguns aspectos dos papeis desempenhados no casamento antigo. Dessa forma podemos ficar insatisfeitos (infelizes) com esses papeis porque a equiparação atual (se tiver valor mais forte) é incondizente com o papel antigo registrado em nossos genes ou, invertendo apenas o valor cronológico, podemos ficar insatisfeitos (infelizes), porque o papel antigo (se tiver valor mais forte) não é condizente com os padrões atuais (equiparação entre os gêneros). É isso que vem intensificando as dúvidas (e medos).

Em função disso o “juntar” tornou-se quase obrigatório e tomou um lugar semelhante ao antigo noivado. A grande diferença é que, no antigo noivado, restava ainda algo a ser experimentado, deixando espaço para a curiosidade e o desejo, o que não há no “juntar-se”, onde tudo já foi experimentado e, pior, o melhor não foi entregue.

 

Matrix

Freqüentemente tenho recomendado em sessões de terapia de casal, que assistam ao filme Matrix (o primeiro). Apesar da intensidade de efeitos especiais, lutas mirabolantes e o exagero alegórico que faz com que a maioria dos adultos sérios e inteligentes torçam o nariz a essa recomendação, insisto solicitando que se atenham ao romance (relacionamento) que ocorre entre o casal que protagoniza o filme. O filme explicita o ponto central cuja carência amplia as dificuldades na união atual e pode tornar-se uma revelação (um insight) para muitas pessoas.

Pensando nessa possibilidade de revelação (extremamente pirotécnica conforme o desenho do filme), interrompo este texto para que o leitor possa assisti-lo concentrando sua atenção na aproximação entre o Neo e a Trinity, e ter a oportunidade dessa descoberta. Caso se perceba como um ser apenas racional e decline dessa experiência, basta clicar no link abaixo para acessar o restante do texto.

http://www.vinculum.com.br/portal/filmes/177-matrixcont