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| O Homem de Ferro II |
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O gênero masculino sempre teve sua formação pautada pelo bloqueio das emoções. Vamos então chamar o homem que viveu até 1950, como homem de ferro. O homem de ferro conseguia identificar (e manifestar) pouquíssimos sentimentos. Sentia o calor de uma disputa, ansiedade eventual por um resultado a vir, orgulho por suas posses, incluídos aí a família – mulher e filhos. Não podia sentir dor, ciúme, vergonha, raiva (bem, raiva sim, se fosse bem masculina), não podia chorar.
Tinha o papel de provedor a quem competia dirigir e manter as regras. O movimento feminista (libertação feminina) teve o efeito adicional de libertar o homem, ou melhor, libertar no homem as emoções. O resultado é que, em 2010, da mesma forma com que há ainda esposas desejando que seus maridos as vejam e tratem como se elas fossem as únicas mulheres sobre a face da terra, há ainda pais que não conseguem estabelecer relação de afeto com seus filhos, fantasiam ser o rei da floresta e querem ser tratados com obediência, mas já encontram obstáculos ao se comportarem assim. Demandas contraditórias surgem: a mulher deve ter seu emprego mas esperamos que elas cuidem também da casa (roupas, louças, preparar refeições e... crianças); o homem deve ainda ser o arrimo financeiro e deve também... cuidar dos filhos (e saber como fazer isso!) É natural essa ambivalência neste período de transição. Estamos ainda impregnados pelos papéis desempenhados pelos nossos pais e, paralelamente, já somos cobrados por papéis mais modernos. O filme O Homem de Ferro II nos mostra algumas dessas inconsistências entre o que somos e o que imaginamos ser. Em alguns momentos O Homem de Ferro responde automaticamente ao ouvir um pedido de orientação/ordem de um funcionário, como se, obviamente, o pedido fosse dirigido a ele – não era; é a mulher que responde e determina o que deve ser feito. Vê-se então um ponto de exclamação na expressão do ator. Em vários outros momentos O Homem de Ferro está queimando sua energia em magnífica demonstração de força/poder, lutando contra malfeitores e é a mulher, que de maneira mais eficaz, resolve a questão. Com a história baseada em personagem de quadrinhos, O Homem de Ferro II, mesmo cansando pela ação e efeitos especiais, é uma boa alegoria da condição masculina atual e a estupefação diante de uma realidade ainda não internalizada, que dificulta o relacionamento de inúmeros casais. Um bom estímulo para a conversa sobre os papéis e... onde está pegando. |