Qual é o Tamanho da sua Raiva?
Filmes

Qual o tamanho da sua raiva? Qual a intensidade? Com que freqüência ela aparece? O mais importante: quando ela surge? O que é que a dispara? Onde mora a sua raiva?

Buscando terapia de casal muitos casais dizem: - Brigamos muito e sempre por motivos “bobos”.

Os motivos podem parecer bobos sim, quando estamos “em sã consciência” como diria o Analista de Bagé) e quando estamos em equilíbrio, atribuindo o valor correto a cada coisa (e ser) que nos cerca. O problema é que em momentos especiais somos tomados por sentimentos-fantasma e nesses momentos nos tornamos "outra pessoa"  e podemos cometer pequenas ou grandes loucuras

O filme Onde Moram os Monstros é um excelente estímulo para pensarmos a respeito disso. Lembre-se de que não é a verdade; é apenas um filme, uma história romanceada, Hollywood; pode ser usado como um estímulo para pensarmos, lembrarmos da nossa história, conversarmos sobre o tema.

Não é um filme para crianças. Pode ser visto para tecer considerações sobre como estamos nos relacionando com nossos filhos e também sobre nossos comportamentos e atitudes em quaisquer outros relacionamentos (o afetivo-sexual duradouro, por exemplo).

Ele pode nos ajudar a encontrar o lugar onde mora nossa raiva, disparada por um sentimento-fantasma (lá do passado), e que eventualmente nos “tira a razão” (quer outras expressões?: fico louco, perco o controle, saio do sério, viajo, fico fora de mim, chuto o balde, desço das tamancas, rodo a bahiana, viro Exu, fico me mordendo, dou um pit, arranco os “bobs”, explodo, tenho um ataque, o sangue me ferve, entre muitos outros).

Recomendo assisti-lo e principalmente pensar e conversar sobre ele.

Imagine que os monstros do filme possam representar a raiva de Max, em suas varias facetas. Por que a raiva? Bem, não é justo Max ter a vida que tinha, mas a vida não é feita sobre essa justiça! Observe como se misturam os sentimentos de solidão, medo, dor e cólera. Quando surge tudo isso? Toda vez que Max não se sente pertinens, isto é, sempre que sente que não é parte de algo maior; que não está com; que não é reconhecido, valorizado, querido. Ah! ele também não é um rei; nem tudo que sai de sua boca vira lei; nem todo seu desejo se realiza - não dá raiva?

Dicas:

  1. Nossa raiva pode existir solta, sem nenhum apoio quando temos humildade para aceitarmos nossa parte animal (emocional). Nestes casos temos consciência de que perdemos o controle. Ela pode, por outro lado, se apoiar em atributos lógico-racionais quando nos orgulhamos desse segundo lado humano. Nestes casos levamos uma vida quixotesca brigando por uma suposta justiça. Queremos que o mundo seja obrigatoriamente lógico, correto e, principalmente justo. O sangue nos ferve ao ver alguém conversando com o caixa quando estamos na fila do banco, mas principalmente, perdemos a razão quando nosso par não nos dá a atenção que gostaríamos, no exato momento que esperávamos. Com esse desenho nós estamos certos e o resto está errado. Nesses momentos podemos ser possuídos pelo ódio, sentir rejeição ou abandono, sentir que somos usados (injustiça!). Identificar o sentimento que surge nesses momentos pode ser um bom indicador de onde mora a nossa raiva para que possamos desmascarar esse nosso fantasma.

  2. Pense também, em lugar da raiva, na dor, tristeza, desespero/desesperança, etc., etc..