Você é... Demais!
Written by Carlos Messa   

 

Nossas necessidades de afeto surgiram desde as primeiras vivências que tivemos durante a gestação e na primeira infância. Consolidaram-se com as vivências que já eliciávamos na nossa vida posterior.

Há uma base que é comum ao ser humano, uma segunda camada comum a cada gênero e, finalmente, a característica individual criada pelas vivências citadas acima. Dessa forma “todos os homens são iguais” assim como, em determinados aspectos, “todas as mulheres são iguais”. Apesar dessas identidades, erramos muito nesses aspectos.

Temos necessidade do “outro” para que ele legitime nossa existência. Uma das formas de nos sentirmos reconhecidos (valorizados) quando adultos é, nas mulheres, serem desejadas (e por isso cuidar-se-á delas) e, nos homens, serem “superiores” (e por isso receberão atenção e serão atendidos em seus desejos).

Naturalmente se essas são características comuns a cada gênero, acabamos por apresentar comportamentos comuns e consequentemente esses comportamentos foram descritos em canções populares (de sucesso também por conseqüência). Há inúmeras canções que descrevem esses comportamentos, mas vou destacar duas pela expressão poética e nível enfático:

Homens: - O comportamento típico masculino para atender à necessidade feminina de ser desejada (e a dedicação decorrente) é a prova de suplantar barreiras que ele percorre como forma de conquista (e provar seu valor (ser superior)). Esse comportamento parece ter sido muito bem descrito na canção “Gabriela” de Maranhão (ouça e veja com MPB4):

Gabriela

atravessei o mar
a remo e a vela
fiz guerra e em terra
montei a cavalo
e em pelo de sela
cruzei as florestas, montanhas e serras
a lua sorria, eu sorri com ela
quando corria, eu corria dela
pulei cancelas, pulei quintais
deixei donzelas e tudo mais
quantas janelas ficaram atrás
só pra te ver gabriela

No exagero de “atravessei o mar a remo” e todo o resto ele tenta provar que superará todas as barreiras para vê-la (e que é capaz disso). Atende, com isso, a necessidade feminina da prova de “força” que deve estar presente na superioridade (de trabalho, física, intelectual, etc.) e também que a atenderá “amanhã”.

Esse é então o mecanismo de conquista e pode não estar presente após a conquista ter se concretizado. A queixa feminina mais freqüente é quanto ao “amanhã”, quando o homem já não enfrenta nem mesmo uma garoa para vê-la.

Por que não atender mais essa necessidade da companheira?

Mulheres: - O comportamento típico feminino para atender à necessidade masculina é admirá-lo. Os homens precisam ser admirados. Carly Simon está maravilhosa em “Nobody does it Better”. Nessa canção não há metáforas ou exemplos; tudo está explícito, dito de forma direta: “Ninguém faz melhor que você”. Dessa forma o homem sente-se reconhecido: é o melhor! É verdade? No campo emocional pode ser verdade sim, e isso é o que importa. Carly termina a canção dizendo isso: “Babe you are the best”. Em uma análise lógica poderíamos considerar que seria necessário comparar não só o desempenho dele comparado ao de outros homens como também a apreciação que outras mulheres fariam desse desempenho. Isso no entanto não importa. Não estamos à procura da “verdade” e sim dos sentimentos de pessoas e, nesse aspecto, a “avaliação” positiva dela é tudo que ele precisa.

Uma “avaliação ”positiva” todos precisamos!