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| Written by Carlos Messa | |||
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A traição surge muito antes que um eventual envolvimento com um "outro" provoque a quebra da confiança! No século XXI, ano de 2009, li uma crítica a um filme “Intersection” na qual o colaborador do jornal acrescentava à crítica, seus valores pessoais e sua postura pretensamente “de vanguarda”, dizendo: “... Vincent ama, simplesmente, e mais de uma. Isso fere o mandamento burguês que exige coerências e desejos únicos.”.
Penso que essa questão foi esgotada desde o início do século passado com a revolução soviética, com a ação de Wilhelm Reich anos 20, 30, 40 também do século passado, com as experiências de “amor livre” dos anos 60 e 70 e com o “Casamento Aberto” de Nena e George O’Neal, nos anos 70. Engano-me e acabo sempre me deparando com esses pensamentos “de vanguarda” que acabam de “descobrir” que podemos desejar mais de uma pessoa, mesmo no século XXI. Engano-me porque esse tema não se esgota; ele faz parte do desenvolvimento emocional e boa parte dos adolescentes lida com ele, assim como pessoas já cronologicamente maduras, mas emocionalmente pouco desenvolvidas. Vamos à questão central: somos capazes de desejar mais de uma pessoa? Naturalmente que sim. Podemos gostar de mais de uma pessoa? Obviamente todos gostamos de várias, muitas pessoas. A natureza humana nos leva a querer eventualmente outras relações? Sim. Devemos então praticar o relacionamento aberto, sem contrato de exclusividade, sem o odioso ciúme? Bem... tente! Considere: o que você busca? Na verdade não buscamos uma relação afetivo-sexual apenas – buscamos uma relação afetivo-sexual duradoura. Mais que isso buscamos, utopicamente, nos unirmos à outra pessoa. Buscamos nos completar, buscamos (em muitos casos) nos reproduzir e isso significa uma outra utopia que é a realização. Podemos viver sem isso? Sim, naturalmente, mas para a maioria das pessoas, a vida sem a busca dessa utopia (inconsciente), é insossa e infrutífera (depressão?). Não é difícil hoje encontrar pessoas que se sentem incapazes de amar, que têm dificuldade de manter um relacionamento. A questão freqüentemente é que essas pessoas têm dificuldade de confiar. “Amar” implica em desejar para si e, conseqüentemente confiar. É por esse motivo que a traição tende a ser fatal em um relacionamento ou, no mínimo, provocar um abalo de longa repercussão. A traição, no entanto, nasce bem antes do ato em si; ela muitas vezes é apenas o troco – o pagamento da quebra de confiança sentida, anteriormente, na pessoa traída. Outras vezes está em nossas raízes, isto é, na nossa formação emocional. Nossa história (desde a primeira infância) pode conter a semente que nos faz trair ou sermos traídos. Sobre isso escrevi um texto no meu blog “Filhos no Século XXI” - Ruptura – Quebra da Confiança no qual trato dessa origem. A traição, dessa forma, tende a eliciar reações desproporcionais, isto é, as reações são maiores e mais intensas do que o fato em si merece, porém essa reação é plenamente adequada se pensarmos que ela se dirige não à traição em si, mas à quebra da confiança e do “castelo” que foi construído (romanticamente) a quatro mãos. Esse castelo é uma utopia – e deve ser buscado. A fidelidade, se contratada, pode ser utópica racionalmente – e deve ser buscada. A relação a dois, um casamento feliz, o relacionamento amoroso, são utopias – e devem ser buscados. Devemos buscar essas coisas simplesmente porque tentar alcançar esses pontos “inatingíveis” é o contrato – é a aliança – é a parte visível da nossa inconsciente necessidade de confiar, de sermospertinens a alguém e à nossa história futura.
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