Masturbação
Written by Carlos Messa   

 

Não é “errado” masturbar-se e certo também não, pois a masturbação em si é apenas o ato de desvencilhar-se do anseio pelo sexo, sem que haja o envolvimento emocional do encontro amoroso.

Dessa forma pressupõe-se que a masturbação é freqüente e “aceitável” quando da inexistência de um parceiro, atendendo necessidades físicas. E quando existe um parceiro?

São freqüentes as queixas de que o parceiro prefere a masturbação ao sexo a dois. Por que isso ocorre?

1 – Medo: - Há vários medos que podem surgir em uma relação afetivo-sexual duradoura:

a) – medo da crítica – nas últimas décadas os homens foram alvos de críticas, parte delas não propriamente corretas, como responsáveis pela não satisfação da companheira. Essas críticas, tanto as apropriadas quanto as inadequadas, podem gerar a sensação de incapacidade (impotência) de satisfazer a parceira, tornando a masturbação uma forma de evitar confrontar-se com essa “realidade”.
b) – medo do “outro” – mesmo de maneira indefinida, uma insegurança quanto à sua performance ou uma hiper-exigência sobre si mesmo pode levar à evitar o contato que se mostre potencialmente capaz de gerar uma avaliação negativa.
c) medo do vínculo – entrega, dependência e outros “riscos” estão presentes em um possível encontro amoroso.
d) medo da rejeição – Quando a rejeição é freqüente, a procura pode ser abandonada como proteção ao sentimento de ser rejeitado(a).
2 – Frustração do desejo do encontro amoroso - caso o(a)companheiro(a) responda apenas no nível físico e não emocional, alguém que anseie por um encontro amoroso pode equipar o sexo a dois à masturbação e preferir esta para evitar a frustração daquele desejo.
3 – Quando há o sentimento de que o sexo é usado pelo outro como moeda de troca, este pode ser evitado para que não ocorra o crescimento do “débito”.
4 – Quando o sexo a dois não atende aos desejos de “encontro”, leveza, jogo lúdico, etc. e não há diálogo sobre a insatisfação.
5 – Como forma de punição ao não atender as necessidades do(a) parceiro(a).

Alguns casais usam a masturbação mútua como jogo sexual que ocorre periodicamente entremeada por outras formas de troca sexual, muitas vezes buscando evitar a “rotina”. Nessa forma, a masturbação inclui um “encontro” com o outro e pode apresentar um atendimento de necessidades emocionais em bom nível, não se equiparando ao ato solitário.

Mesmo tendo uma vida conjugal, algumas pessoas praticam a masturbação solitária e podem justificar dizendo: - “Eu gosto”. Essa é uma resposta insatisfatória por ser mistificadora. Não há nada de errado em gostar da satisfação proporcionada pela masturbação; a questão que permanece não respondida é o porquê de não haver uma definida preferência por um mais amplo e intenso encontro amoroso com o(a) companheiro(a).