Como "Perder o Bonde" no Relacionamento Afetivo

Bondes são raros (e folclóricos) mas ainda se usa a expressão “perder o bonde da história”.

“Perder o bonde” é utilizada ainda para expressar coisas como:

- perder uma oportunidade

- não acompanhar uma mudança (evolução)

- ficar para trás

Na relação conjugal é muito freqüente (mais de 80% dos casos) a perda da “sintonia” que existiu durante o namoro/paixão.

Esse afastamento emocional pode acontecer com ambos ou apenas um dos cônjuges e, neste caso, quem “perdeu o bonde” não percebe ou não se importa com o fato, porém aquele que mantém o contato emocional ativo, se ressente. Esse ressentimento é pela perda – perda significativa - e remete a emoções já vivenciadas (na infância são as mais fortes) mesmo que inconscientes.

Há inúmeros exemplos nas canções populares e o mais difundido globalmente é a canção “folk” norte-americana de autoria polêmica, surgida em 1961, cantada e também traduzida em diversos idiomas (japonês, javanês, polonês, etc.) – “Five Hundred Miles” (ouça com Peter, Paul and Mary, sucesso no Brasil em 1963). Essa canção é como um lamento e cita: “se você perder o trem em que estou, perceberá apenas que eu me fui”, mas seu sucesso provavelmente se deve à ênfase que dá ao sentimento de estar “longe de casa” (away from home).

A casa, o lar, o par, o refúgio, o “castelo”, depois de construído a quatro mãos, é parte inseparável de nós e, longe dele, não permanecemos inteiros – ficamos reduzidos.

Pesquisas recentes mostram que um percentual muito pequeno dos casais permanece “enamorado” depois de anos de relacionamento e atribui isso a um determinado processamento cerebral. Essa é apenas uma parte da verdade pois realmente é assim que as coisas acontecem se deixadas ao acaso. Não é verdade, no entanto, que não podemos ativar essa região do cérebro e manter uma sintonia emocional com o outro. Podemos nos sintonizar emocionalmente, podemos estar atentos aos nossos sentimentos, para a importância da “home” citada na canção; podemos, com nossa mente, “configurar” a ação cerebral ao invés de deixar que, ao acaso, nosso cérebro “faça” a nossa mente e a “dessintonia” conhecida e agora autenticada pelo resultado de pesquisas.