Padrões Sociais e Terapia de Casais

 

Ainda podemos ver nos filmes clássicos de Hollywood o casal padrão que hoje continua a influenciar os relacionamentos: o homem com 1,80 metros ou pouco mais, que era a estatura mais alta na época, e a mulher quando muito com 1,60 metros. Ele, o todo-poderoso, e ela “protegida”; ele decidindo e ela sendo conduzida.

O mundo mudou e as mulheres conquistaram a equivalência social, porém gostemos ou não, emocionalmente somos ainda influenciados por esse padrão.

Quantas mulheres se utilizam de uma impostação vocal semelhante à utilizada pela apresentadora Xuxa em seus programas infantis? Quantos pais conseguiram acessar sentimentos de ternura assistindo aos (antigos) programas infantis dessa apresentadora (juntos com o(a) filho(a))?

O padrão “eu sou o dominante” (homem) e “eu sou a seguidora/protegida” (mulher) evoca a relação paterna – cuidar, proteger, porém também “comandar” e dirigir - e continua ainda presente em inúmeros casais gerando diferentes conseqüências (além de ser um lamentável fator contribuinte nos comportamentos de abuso infantil):

- um relacionamento complementar gratificante onde ambos se satisfazem com essas características “do outro”.

- um relacionamento difícil quando um dos componentes do casal descobre a insatisfação em relação ao papel que representa.

- um relacionamento difícil quando um dos componentes do casal descobre a insatisfação em relação ao papel que o outro representa.

- um relacionamento em vias de ruptura quando ambos os componentes do casal sentem-se insatisfeitos com os papeis que seus parceiros representam.

- um relacionamento provavelmente em vias de crescimento e revisão contratual quando ambos os componentes do casal percebem a complementação e sentem que ela já esgotou sua função.

“Casei-me com uma criança” e “Casei-me com um machão dominador” são queixas comuns na terapia de casais e a evolução rápida do casal depende da disponibilidade de ambos para identificar em si o papel representado e para alterá-lo.

Desejar mudar o outro é uma disposição bastante freqüente, disponibilidade para mudar a si mesmo exige um trabalho um pouco maior.