O que os une?
Written by Carlos Messa   

Em alguns outros textos trato dos motivos que levam duas pessoas a se aproximarem e desejarem ficar juntas: a paixão (normalmente dizemos “amor”).

O que os leva a permanecerem juntos?

Converso com pessoas que querem continuar juntas, mas não veem bons motivos para isso (dizem: “o amor acabou”). Converso com pessoas que não querem separar-se, mas não encontram motivos que justifiquem estarem juntas (dizem: “mas eu amo”).

É estranho como não sabemos lidar com as relações e com nossos próprios sentimentos! Qual os motivos de nossas escolas não tratarem de “vínculos” com estudantes adolescentes?

Na terapia de casal, a casais que estão em séria crise, brigam muito, pergunto se amam um ao outro e a resposta mais frequente é “sim”. Muitos deles não sabem o que é “amar”, mas essa resposta é o que preciso para que trabalhemos, a três, para a construção de um relacionamento saudável e saboroso. Isso acontece porque “amar” é um verbo e implica ação, neste caso, consciente.

Quando não queremos nos dedicar à construção de um relacionamento que nos nutre (e ao outro, obviamente), queremos nos separar. Quando só um quer trabalhar nessa construção... temos um problema que implica na decisão entre tentar (até quando?) ou desistir. Quando decidimos nos separar porque não queremos agir conscientemente na construção do relacionamento harmonioso, leve, alegre e nutriente, quase sempre nos iludimos porque, em um novo relacionamento, teremos a “felicidade gratuita”, aquela que nos é dada durante a paixão, com prazo de validade. Após ela ou agimos de forma competente para sermos felizes ou... começamos de novo!

Quase sempre pergunto se “há disposição para enfrentar os próprios fantasmas”, porque agir conscientemente na construção da felicidade exige que superemos alguns “valores” que impregnaram nossas emoções (o que nos é inconsciente). É preciso mudar.

Quando me perguntam se “pode dar certo”, algumas vezes dou risada tentando mostrar que não faz sentido deixar ao acaso (como se dependesse de forças desconhecidas) a qualidade do relacionamento; outras vezes pergunto oque é “dar certo”, para começarmos a enfrentar o problema.

Sim, pode “dar certo”, mas podemos afirmar que VAI “dar certo” se houver atitude, ação consciente e... alguma habilidade. Ser feliz é possível. Ser muito feliz também. Ser extremamente feliz (o satori, por exemplo) também é possível mas só é aconselhável sob certas condições (um certo desligamento do pragmatismo exigido na maioria dos ambientes psicossociais atuais).