“Minha” Casa
Written by Carlos Messa   

Estar bem implica em ter um lugar no mundo. Sentir segurança também. Sentir-se “igual”, poder relaxar, sorrir, rir, sentir-se capaz de construir pressupõe ser aceito(a), ser reconhecido(a). No mundo simbólico esses (bons) sentimentos estão resumidos no “sentir-se em casa”.

Onde é sua casa?

Há várias sensações que indicam o desconforto de não estar “em casa” e são frequentes:

  • sentir-se sozinho(a)
  • sentir-se deslocado(a)
  • sentir que seu lugar é “em algum outro lugar”.

Na música popular há inúmeros exemplos onde a poesia espelha esse sentimento, dos quais destaco:

  • Eu me sinto tolo como um viajante. Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia (Theresa Tinoco, “Viajante”).

  • Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
    Estou só e não resisto,” (Milton Nascimento, Fernando Brandt, Travessia).

  • Eu quero uma casa no campo
    Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
    Onde eu possa plantar meus amigos
    Meus discos e livros
    E nada mais”
    (Zé Rodrix, Tavito, Casa no Campo)

  • Away from home, away from home,
    Lord, I'm five hundred miles away from home.
    (Five Hundred Miles)

     

O casamento implica em fazer a transição desse “sentir-se em casa”, da casa de origem (dos pais) para a “nova” casa, da família que está sendo construída. Nem sempre é fácil e, quando não acontece essa transição, tende a surgir problemas entre o casal. Quando a transição é feita, nossa casa é nosso castelo: refúgio, porto-seguro, lar, e nos tornamos um par, que se é posteriormente desfeito, pode fazer com que nos sintamos menores, reduzidos, “away from home”.