O Beco Sem Saída
Written by Carlos Messa   

Frequentemente as relações conjugais podem se encaminhar para um “beco sem saída”. Determinados desentendimentos podem fixar cada cônjuge em posições distantes e supostamente opostas, onde vão, a cada palavra, cavando suas trincheiras e definindo que a única alternativa de aproximação, é o movimento do outro em sua direção: ego, orgulho, impedindo movimentos mais produtivos.

Essa situação, surge frequentemente na terapia de casal e, em uma análise lógica superficial parece mostrar que, para cada um dos contendores, preservar sua posição, seu orgulho, é mais importante do que o relacionamento, casamento, família (se houver filhos) o que quer dizer: a qualidade do relacionamento, o estar bem, feliz, é menos importante.

Dentre os diversos dificultadores dessa situação, um importante é que, quanto mais avançamos em nossas posições, mais difícil fica o voltar.

 

Isso pode levar a um lugar onde se torne impossível retornar? Não, impossível não, porém há muitos casamentos que são interrompidos dessa forma: não conseguiram voltar. Muitos e muitos desses casamentos permanecem assim: interrompidos. Não foram desfeitos; a não solução do problema, na grande maioria das vezes indefinível e indescritível mantém o casamento insolúvel. Em alguns casos ele perdura na raiva, em disputas que muitas vezes é velada e pode ocorrer através dos filhos, inclusive amparada na recente “guarda compartilhada” destes.

Individualmente pode ocorrer o agravante da imobilização mais ampla de um ou ambos os componentes do casal, ao não estabelecerem novas relações consistentes e duradouras, imobilização em outras áreas, como a profissional, por exemplo.

Retroceder assim que surja a percepção de que estamos caminhando em uma direção onde não há saída, é uma atitude inteligente. Retroceder não significa submissão ou aceitação de algo inaceitável. Não significa abandonar valores nem perder a individualidade. Ao contrário, isso pode ser feito de maneira a nos tornar maiores.

Quem deve retroceder? Ambos, mas primeiro o mais inteligente, equilibrado, amoroso.

Minha sugestão: se o outro retrocedeu e pediu desculpas, imediatamente peça desculpas também ou diga que não é necessário pedir desculpas porque você também errou. Nesse momento não importa a “verdade” ou o que é “justo” ou “correto” e sim a atitude amorosa de não deixar ao outro a responsabilidade total por um desentendimento. Sair vitoriosa(o) dessa situação só aumenta as chances de repetir o ocorrido mais vezes a cada vez em um menor período de tempo.