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| Intimidade, Individualidade e Individualismo |
| Written by Carlos Messa | |||
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A terapia de casal muitas vezes é lembrada quando se percebe a falta de intimidade emocional no relacionamento. Não é incomum que surja o desejo de camas separadas, quartos separados, banheiros separados. Nos EUA, onde o culto ao ego é um valor, camas separadas foram a praxis e foi lá também onde primeiramente se divulgou a proposta de casas separadas para os casais. Intimidade não é uma necessidade e sim uma possibilidade. Não conflita com individualidade, mas não pode coexistir com o individualismo, já que este, como o poder, é solitário e intimidade significa compartilhar aquilo que está na parte “mais interior” do indivíduo. A intimidade vem se reduzindo na mesma medida em que a sociedade valoriza uma pretensa individualidade que efetivamente está mais próxima do individualismo. Dessa forma o padrão torna-se o individualismo (sob o nome de individualidade) e os limites de aproximação do outro, aceitos pelo indivíduo, se distancia cada vez mais do “eu autêntico”. De forma não intencional e sim por contaminação, essa forma de estar no mundo vai se transportando da esfera social mais ampla, para o âmbito afetivo (casal e família). A individualidade é positiva ao nos permitir a diferenciação e a afirmação do “si mesmo”, desde que aceitemos essa característica no outro. A individualidade (indivíduo - individuus – não divisível), é necessária para a manutenção da vida da mesma forma que a diversidade (das espécies) o é. São as diversas características individuais que enriquecem a humanidade. A individualidade bem definida e forte é um fator importante não só de atração mas para a manutenção de um relacionamento. A individualidade no entanto não exclui a intimidade porque, conforme desenharam Jung (individuação) e Szondi (humanização), a individualidade coexiste em harmonia com o outro e, principalmente, estimula a intimidade – a troca. O individualismo, este sim, afasta o outro sob os mais diversos argumentos, muitos deles aparentemente bem razoáveis:
Esses argumentos, se considerados em maior profundidade, acabam por convergir para uma vergonha de si mesmo (baixa auto-estima) ou medo do outro (defesa ou ataque). Há outros, que se aproximam destes na forma, mas indicam também outros motivadores:
Quanto maior a vergonha de si mesmo ou o medo do outro, menor a possibilidade de troca autêntica e intimidade. Da mesma forma, a queda do respeito e admiração, afasta. Como defesa, quem teme o outro alega ainda o risco de anular-se. Sim, entregar-se apresenta riscos (assim como o não entregar-se). Mesmo nos vínculos extremamente fortes, simbióticos, há o aspecto positivo que é o auxílio mútuo: cada uma das vidas em simbiose contribui para o desenvolvimento da outra. Isso difere significativamente do parasitismo. A expansão da individualidade, a boa auto-estima, facilitam a troca, permitindo que haja mais intimidade. Para a mulher a intimidade acaba sendo um importante indicador da qualidade do relacionamento. Como no início do relacionamento é mais comum a ocorrência da intimidade (emocional e não apenas a intimidade física), a mulher se ressente que, com o passar do tempo, ocorra o distanciamento emocional, tomando muitas vezes esse fato como “prova” de que não existe amor. De fato não existe o comportamento propício para a expressão emocional, através da qual se vivencia o amor. O homem, por seu lado, não entende porque a mulher se ressente, já que a intimidade emocional, não sendo item presente na sua formação, não é algo que ele acesse facilmente (e por isso não tem como ressentir-se da ausência). Ao se rever eventuais dificuldades no relacionamento de um casal, é frequente que a intimidade emocional esteja muito reduzida senão praticamente inexistente. Olhar o outro como ele é, respeitá-lo, é um bom (re)começo.
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