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| Menino Vadio |
| Written by Carlos Messa | |||
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Apesar de meninos e meninas desenvolverem-se fisicamente quase concomitantemente, emocionalmente há um maior descompasso. Meninas se tornam “maduras” antes dos meninos, ou ao menos é assim que enxergamos. Mulheres sempre foram formadas por mulheres, e homens... também por mulheres! Meninos logo são malvistos se mantêm-se emotivos e afetivos um pouco além da primeira infância. O pai, quando dedicado, (hoje) trata o filho como “amigão” e a mãe, por maior proximidade que tenha com o filho, tende a manter alguma distância para não “contaminá-lo” com sua afetividade!
Meninas, então, são emocionalmente mais desenvolvidas, ao menos pelos motivos acima, e têm uma noção mais clara de seus objetivos afetivos e futuros quanto à família. Neste momento de transformação social é comum que a mulher pense que não quer ter filhos. Formar-se na “escolinha” pode ser um dos motivos dessa postura estar se intensificando atualmente. Essa posição se altera sem dificuldade assim que encontra alguém com quem deseja construir uma família e na medida que a idade avança. Com o homem não ocorre dessa forma; quando ele não trás “de casa” o desejo de construir família (o que é o mais frequente), só o tempo, vivência e o convívio com uma mulher poderá ir fazendo vagarosas alterações nesse seu modo de ver o mundo. Ele já não sente a antiga pressão social, nem faz mais sentido o prazer de possuir uma família. Neste momento, em função da “igualdade” feminina, o homem apoia-se em argumentos racionais para manter-se no seu “modo de vida” até mesmo estimulando a mulher a adotar o seu padrão.
Desde “Ronda” de Paulo Vanzolini (1945 – veja abaixo um trecho) esse tema é abordado pelos poetas da canção popular.
De noite eu rondo a cidade
Chico Buarque, mestre das letras na música popular brasileira tratou desse tema em várias canções, como nos dois exemplos abaixo:
Menino Vadio
Vem, meu menino vadio
E
Com açúcar, com afeto
Com açúcar, com afeto fiz seu doce predileto Pra você parar em casa qual o quê! Com seu terno mais bonito você sai, não acredito.
Modernamente quase nada mudou, exceto pelos nomes. “Matrimônio” está esquecido e o “casamento” é indesejado. O “morar juntos” ao contrário de resolver essa questão, faz com que aflore. Apesar das mudanças o homem espera que a mulher faça, à noite, a manutenção da casa e a mulher, da mesma forma que luta contra essa segunda jornada de trabalho, espera que o homem torne-se o “provedor” da casa para que ela tenha filho(s) (na verdade, que formem uma família). O homem, por não ter aprendido o que são vínculos familiares, continua a valorizar o futebol e o “happy hour” (você pode encontrar no Yahoo, a “Lindinha” perguntando: - “Pode parecer meio ignorante de minha parte é que nunca fui em um, do que se trata? (sobre happy hour)” e o “Miguelito” respondendo: - “Tem muitos petiscos, bebidas, amigos falando alto, rindo e contando piadas. É muito legal.“
Mulheres com mais de trinta anos, “morando junto”, podem em algum momento serem despertadas por aquele desejo impregnado em nossos genes, de constituir uma família, e se depararem com um par que não corresponde exatamente ao perfil do companheiro desejado. Pior: diante dos pressupostos com que assumiram o par, as dificuldades de negociar a mudança de postura são enormes. Por mais que as mulheres tenham conquistado a “igualdade”, esta não lhes é favorável consideradas as tendências instintivas. Os homens que não foram formados para vínculos afetivos estreitos e consistentes, não encontram nenhum motivador para alterar seu modo de vida; quando se tornam pais, não têm a oportunidade (tipicamente feminina em função do nosso desenho social) de desenvolver vínculos consistentes com o(s) filho(s) (nossa legislação permite que que o homem falte ao trabalho para ir registrar o nascimento no cartório!). Dessa forma, algumas mulheres, hoje, continuam se perguntando, como há 100 anos: - Por que ele prefere ficar “na rua”, ao invés de ficar com a família?
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