A Expressão do Amor e do Desamor
Written by Carlos Messa   

É comum que a expressão do afeto (amor) seja intensa durante a paixão. Quando estamos apaixonados nos sentimos bem ao olhar para o outro, ao ouvir sua voz, ao perceber sua presença. Como o outro está, também, nos admirando, fornece-nos o alimento emocional: o reconhecimento da nossa importância. Como resultado dessa interação vivenciamos um período de intensa felicidade, na maioria dos casos jamais sentida.

Vem então o dia-a-dia e a presença do outro deixa de ser um estímulo,

isto é, torna-se estável e parte integrante da nossa vida. A partir disso é que dizemos que começamos a enxergar o outro, isto é, damos atenção aos seus defeitos – ao que ele deixa de nos oferecer.

 

 

Nesse ponto a nossa habilidade relacional fará toda a diferença, definindo se nosso relacionamento será pleno de felicidade ou se tornará um fracasso. Quando o outro se integra ao nosso cotidiano e por isso deixa de ser um estímulo (deixa de nos chamar a atenção como quando uma luz se acende – se ela permanece acesa, não nos chama mais a atenção), podemos nos sentir ressentidos como se ele fizesse isso com o propósito de nos negar aquele sentimento positivo de ser reconhecido. A falta de entusiasmo pode ser percebida como desatenção ou desencanto.

Dessa forma, ao não nos sentirmos felizes, culpamos o outro. É o momento de conversar, mas ao invés disso muitas vezes reagimos expressando emoções negativas através de críticas, o que provoca sentimentos negativos do outro em relação a nós – é o início do círculo vicioso negativo (destrutivo).

Conversar sobre isso é necessário, porém conversar significa:

  • Informar ao outro
  • Racionalmente
  • o que está sentindo

Em uma serena troca de informações na qual ambos estão em busca de uma solução.

O mais comum é que ocorra o contrário:

  • Palavras (racional)
  • Despejadas em tom de crítica/acusação
  • Em uma descarga puramente emocional

Onde cada um se sente ameaçado, agredido e mesmo injustiçado e, por trás desses sentimentos está o oposto do sentimento que ocorreu durante a paixão: NÃO ser reconhecido/querido.

Expressamos assim, ao outro, o desamor e isso o atinge e ele, naturalmente, revidará.

Nos sentimos frustrado por não estar sentindo o prazer de sermos reconhecidos e, ao invés de tratarmos desse problema serenamente buscando uma solução, culpamos o outro e atiramos nele nossa raiva, pois sentimos que é ele que não nos permite estarmos felizes. Ele sentirá o mesmo que nós – que não é reconhecido – e atirará sobre nós a sua raiva.

Podemos fazer melhor?