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| Decepção, Depressão, Impotência |
| Written by Carlos Messa | |||
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Mencionei em outro texto (Libido, Sexo, Erotismo, Afeto e Casamento) que a maioria dos homens que busca solução para impotência não apresenta disfunção orgânica/hormonal e muitos sequer têm dificuldades com a ereção ou orgástica. Os que buscam tratamento (e muitos não o fazem), saem com a receita de um antidepressivo e algum complexo vitamínico. O que ocorre?
Entre os 40 e 60 anos podem surgir:
Esse é o luto pela perda da própria vida. É a base de sustentação da depressão, cuja intensidade varia em função do quão profunda e freqüente são as percepções acima. A impotência consiste na maioria dos casos, na falta de libido provocada por esse novo foco da atenção. O primeiro diagnóstico de impotência é dado, também na maioria dos casos, pela esposa, ao notar que é procurada cada vez com menor freqüência (quando não há uma queda abrupta dessa procura). Não é feita uma distinção entre impotência e falta de libido. Essa descoberta pode definir o prognóstico em função de como ela reagirá. O ideal é que se mantenha a comunicação, a intimidade e o afeto e juntos avancem para esse novo patamar de suas vidas. Caso, ao contrário, a esposa resista em avançar esse degrau (o que é muito estimulado pela ordem social através da hipervalorização da “juventude”) e o defina como impotente e exija que ele “resolva o problema” consultando um especialista, provocará nele a ampliação da decepção (item 4 acima) sobre um dos pilares mais importantes que sustentaram sua trajetória de vida e, em função disso, mesmo que a depressão se arrefeça eventualmente, a decepção com a parceira prevalecerá, perpetuando o “problema”. A falta de sensibilidade que a esposa criticava em seu comportamento quando eram mais jovens, agora é vista por ele no comportamento dela, abrindo espaço para o sentimento de abandono/rejeição e de ilusão de sua percepção anterior em relação à sua parceira. O homem alterou significativamente seu foco de atenção e está sensível às questões emocionais; pode pensar: “ela me vê como uma máquina que produz dinheiro e orgasmos”. Pode estender esse sentimento ao gênero e passa a ver toda mulher como desprezível, da mesma forma que alguns homens que optam por relacionamentos homossexuais as vêem, como por exemplo no seguinte texto que mantenho anônimo (perceba o sentimento por trás das afirmações): - “As mulheres fazem uso de uma falsa imagem de delicadeza e hipo-suficiência, cristalizada na sociedade, para auferir vantagens pessoais. São como aranhas que mantêm viva a presa, enovelada, até a hora de comer. São como as cobras e serpentes, distraiu elas mordem. Mesmo no amor dito maternal, acho que a mãe protege o bebê por razões menos nobres do que se propala. No trânsito, não vejo mulher gentil. Elas são as mais grosseiras no dia-a-dia. Mesmo entre elas, são muito cruéis umas com as outras. Tudo isso disfarçado de doçura e delicadeza. Têm um interesse utilitarista no homem, usam o homem. Nos últimos 150 anos a mulher emasculou o homem. Para conquistar sua liberdade, ela suprimiu a nossa. Hoje é pecado, quase pejorativo ser homem. Os homens têm que fingir quase ser mulheres para não serem ridicularizados.”
Pode também optar por manter seu comportamento padrão, simplesmente para não mudar (devido à redução da combatividade), porém em um quase total alheamento afetivo. Poderá optar pela masturbação ou relações sexuais extra-conjugais (quando da exigência biológica) numa tentativa de evitar confrontar-se com a fonte de sua decepção. Aceitará o rótulo de impotência, muitas vezes sem questionar, para não remexer questões que para ele são mais difíceis de suportar. Esse é um relacionamento que possivelmente quase nunca foi muito íntimo ou afetivo, mas nesse momento atinge o máximo de sua aridez. A psicoterapia de casal pode ser uma alternativa para reabrir o diálogo e o entendimento do que está ocorrendo, o “como” realmente é o outro quanto aos sentimentos e emoções. Caso queiram, juntos poderão enfrentar essas dificuldades.
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