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| Amantes e Qualidade do Vínculo |
| Written by Carlos Messa | |||
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A descoberta de que há uma terceira pessoa no relacionamento afetivo-sexual duradouro provoca reações intensas, muitas vezes dramáticas, e algumas vezes leva a ser considerada a qualidade do vínculo que o casal vinha mantendo. A decepção é inevitável e o mais freqüente é que, ao menos na superfície, culpe-se alguém de traição e associe-se esta ao mau-caráter.
A divulgação recente da existência de uma namorada do nosso “poeta maior” Carlos Drummond de Andrade, por quase 40 anos (Lygia Fernandes), coloca em dúvida essa simplificação de atribuir-se a traição ao mau-caratismo; afinal quem pode pensar em um Drummond mau-caráter? Deslizes sim, mas admitidos em Vinícius de Moraes, nunca em Drummond! Mulheres traídas podem acusar o marido pela quebra da confiança, porém é freqüente também que se questionem: - O que fiz de errado? - Não sou boa o suficiente? - Me enganei esse tempo todo? A mulher que trai, esta sim sente-se mau-caráter porque, ao contrário dos homens, tem boa consciência do vínculo, família, repercussões do ato nos filhos, etc.. O homem “traidor” pode ficar estupefato, estarrecido: “Como pude?”, diante de uma súbita consciência da extensão do ato e/ou de algumas das possíveis consequências. Amantes sempre existiram e não apenas para os homens. Cada época tem seus motivadores específicos, por isso vamos considerar alguns dos motivadores atuais:
O insatisfatório triângulo amoroso muitas vezes é uma tentativa de encontrar a satisfação de uma necessidade emocional não atendida, quando a busca da utopia da relação emocional duradoura gratificante foi abandonada. É uma alternativa artificial apimentada pelo proibido e/ou “impossível” que supre uma lacuna que passa a existir quando se deixa de enxergar o “outro” e de buscar, com ele, o relacionamento desejado. Descobre-se com aquele que seria o “par”, o que é o relacionamento indesejado, pois na grande maioria dos casos, não se sabe como seria o relacionamento desejado. O(a) amante permite então que seja descoberto o que desejamos de um relacionamento. Dessa forma enviesada é que, algumas vezes, é possível reconstruir o relacionamento com qualidade muito superior ao existente até então. Para isso, no entanto, é necessária a harmonia dos objetivos do par.
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