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| Separação |
| Written by Carlos Messa | |||
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Socialmente pouco adequada, a pergunta do porquê da separação de um casal, acaba sendo feita na intimidade. A resposta na maioria das vezes é muito difícil por uma razão bem simples: com o passar do tempo já não se sabe o motivo ou, o que parecia ser um motivo... perde importância. Separações acontecem frequentemente no calor da emoção e os envolvidos preferem que seja assim porque, sem esse calor, ela fica mais difícil de se concretizar. Deixam de atentar para o fato importante de que mesmo não sendo a (desejada) emoção positiva, a emoção continua determinando a relação, agora a emoção “negativa”. A união se faz pela emoção e na fase inicial, como descrevemos em “Contato Emocional – Intimidade”, a paixão é intensamente positiva, apesar de esse ser apenas um lado dessa moeda. Apesar do sentimento de felicidade que pode invadir o recém separado, por sair de uma relação que estava sendo desgastante e, ao mesmo tempo, estar “livre” para um recomeço, também é comum o sentimento de fracasso. Em muitos casos esse sentimento de fracasso é bastante justificável porque não foi possível construir a relação conforme se desejou. A falha mais comum é não atentarmos para o fato de que a relação não se desenvolve produtivamente por si só e, ao invés disso precisa que façamos investimento de tempo e energia para que ocorra o seu desenvolvimento. O pensamento romântico é natural e produtivo porém ele, por si só, deixa que a relação se dirija ao acaso; a visão prática – cotidiana – pode fazer com que a intenção e atitude dirija de forma benéfica o relacionamento para o destino desejado. A decisão consciente de desejar manter a relação, aliada à visão de que a condição presente é insatisfatória porém potencialmente capaz de ser alterada, é o que justifica a psicoterapia de casais. A psicoterapia de casal ou “terapia de casal” conforme é chamada frequentemente, é o recurso que lançamos mão para descobrirmos “o que está acontecendo” na relação que já foi ótima mas hoje pode estar sendo difícil de ser mantida. Um dos parceiros mudou; para melhor ou pior? Os dois mudaram? Um deles não aceita o crescimento do outro? A comunicação não está ocorrendo? O contato afetivo-positivo já não acontece? Não recebo o que preciso? Sob o peso de sentimentos negativos ou de retaliações no dia-a-dia a separação parece ser a “saída”, mas certamente a busca de uma “saída” indica apenas que não conseguimos encontrar um caminho melhor. E o resultado posterior é que o motivo “real” da separação parece ser pouco definido.
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