Separação: Filhos

 

Foto

Eu fico com o carro

você com o telefone

Aquela foto eu vou rasgar no meio

Na vertical você fica com as crianças

Na horizontal você fica com metade de mim

e eu de você

Melhor queimar a foto

e as crianças?

 

Crianças aprendem também com as vivências e é por isso que o conceito de família surge bem antes que possamos ensiná-lo através do raciocínio lógico. Antes as crianças já o incorporaram através das suas vivências e da “emoção”.

É dessa forma que as crianças “sabem” que os pais são como irmãos: inseparáveis mesmo que distantes um do outro. São “unha e carne”, gêmeos, nasceram da mesma mãe no mesmo dia – são “uma coisa só”. Sequer se dão conta que a mãe de um não é a mãe do outro – sabem mas nãosentem. Isso até que um deles informe que vão se separar...

Muitos pais cometem uma grande violência ao comunicar a separação, por entenderem que isso é um “problema deles”, dos adultos, do casal, e criança não entende disso. Realmente não entende e por isso a comunicação feita de forma inesperada, sobre uma crença instalada e vigente por toda a vida da criança, é uma violência e tem conseqüências.

Naturalmente não é bom que a criança presencie um relacionamento tenso, áspero, brigas, porém da mesma forma não é bom que ela seja pega de surpresa com uma notícia avassaladora: vamos nos separar. Depois disso sempre vem outras informações como: - “Você vai ter duas casas” - ela não quer duas casas – quer uma e consistente.

Além do choque pela informação de algo inimaginável, há ainda a violência da exclusão. A criança faz parte da família e acredita que participa de tudo referente a ela. Descobre, ao receber a informação da separação, que ela NÃO faz parte realmente.

Se a separação é inevitável, as crianças, parte da família, devem ser envolvidas de acordo com o nível de maturidade; a informação deve ser gradual e aquelas com mais idade podem, se não participarem efetivamente da decisão, ao menos concluir por si mesmas, em uma conversa com os pais, que essa é uma alternativa adequada diante da situação.

Muitos pais que viveram essa experiência de informar a criança na forma violenta descrita acima, concluem que a criança reagiu bem, não está muito triste, etc., porém a criança fica estupefata e mesmo em estado de choque. Com alguma atenção poderemos perceber que ela fica mais silenciosa, mais responsável ou mais ativa (hiper?), em sua busca de se manter afastada da dor.

O dano não é visível no curto prazo e muitas vezes nem resulta em um sintoma específico no médio-longo prazos, a não ser uma marca indelével em sua matriz relacional. Essa marca pode e deve ser evitada.