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É bastante frequente uma perda na qualidade de vida, gradual e constante que leva a uma queda significativa do prazer de viver.
Essa perda acontece na relação com o “outro”: alguém significativo em nossa vida.
Na relação com um filho essa perda pode ser notada quando a criança já tem um razoável domínio cognitivo, isto é, já se comunica verbalmente com alguma facilidade. Nesse momento o contato direto emoção-emoção já não é tão freqüente e há, por parte dos pais ou cuidadores, uma demanda e expectativa de aprimoramento social. Os pais se tornam então mais críticos e a emoção, que comandava o relacionamento anteriormente, é substituída pelo julgamento.
A avaliação constante do comportamento e sua correção mais dura acaba por gerar um afastamento com a perda do afeto. No casal o processo de perda se assemelha. O “outro” que era fonte de prazer vai deixando aos poucos de acessar nossa emoção positiva e em substituição entra nosso raciocínio lógico e o julgamento. Críticas eventuais reduzem aquele prazer de sermos aceitos, queridos e desejados, que ocorria durante a paixão; ocorre uma queda da confiança e tememos nos expor, desprotegidos, à avaliação do outro. O resultado é a perda da intimidade e a burocratização da relação, no mínimo. Surge o distanciamento e a estranheza quando não ocorre a beligerância aberta. Em ambos os casos a grande perda é do contato direto emoção-emoção. Nosso castelo vai se desmoronando e já não nos sentimos seguros, aceitos, amparados, “em casa”:
(“Eu me sinto tolo como um viajante pela tua casa pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia”) ( Teresa Tinoco)
Podemos então nos tornar mais objetivos, diretos e eficazes em nossos contatos profissionais e essa objetividade pode se refletir também em nossos contatos que deveriam ser regidos pelo afeto.
O mais comum é que, em meio a sentimentos ruins, surja a tendência a atribuir ao “outro” a responsabilidade pela nossa má qualidade de vida: acreditaremos que é o “outro” que nos prende, nos segura, nos impede de ter prazer. É o “outro” que nos torna assim! Será?
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