Porque Terapia de Casal?
Written by Carlos Messa   

 

Assim como a paixão acontece abaixo do limiar da consciência, também a relação do casal se dá nesse nível. Na paixão (leia mais) podemos saber que estamos apaixonados, mas mesmo que racionalmente conheçamos “defeitos” do outro, isso não tem valor algum, não “pesa” em nossas escolhas, pois o sentimento é quem dirige a ação. A emoção está no comando.

Somos empurrados em direção ao outro por uma força desconhecida; temos sinais físicos desse impulso: o coração acelerado, a respiração arfante ou entrecortada, suores, etc..

 

Dessa mesma forma, depois de algum tempo a relação do casal pode mostrar alguma deterioração. O que deveria ser uma relação amorosa continua sendo repleta de emoções, porém de outra natureza. São comuns os sentimentos de desatenção (abandono, rejeição), de limitação (castração), o sentir-se sufocado (perda da liberdade), ressentimentos, irritação em relação a pequenos detalhes do dia-a-dia. Pode acontecer também de que os momentos juntos sejam repletos de pequenos conflitos, disputas, alfinetadas (leia mais).

Em função desses sentimentos a consciência pode começar a ser povoada por inúmeros pensamentos que “explicam” o que está ocorrendo: culpar o outro como responsável pela própria infelicidade, por exemplo. Busca-se então a terapia de casais.

Na crise, a oportunidade: Depois que nosso cérebro completa sua formação, em torno de 20 anos, estamos também formados fisicamente e nossa escolaridade já nos permite analisar com certa desenvoltura e acuidade o mundo externo, temos ainda alguns passos na direção de um desenvolvimento mais profundo e integrador, que costumamos chamar de individuação (leia um exemplo). Dois desses passos se destacam: o primeiro é a relação afetivo-sexual duradoura socialmente definida pelo casamento; o segundo é a vivência da paternidade – maternidade.

O casamento é o primeiro passo (após nossa maturação física e intelectual) em direção à individuação justamente porque a relação entre o casal se dá efetivamente no nível emocional, abaixo do limiar da consciência, sendo, por isso, potencialmente capaz de nos levar a um maior conhecimento de nós mesmos. Fomos “empurrados” pela paixão em direção ao outro e pode ocorrer que ao cessar esse empurrão, queiramos nos afastar do outro – já não o aceitamos, já não o admiramos, sua presença que nos fazia suspirar, agora só nos incomoda - - não é o outro; somos nós! Nesse momento precisamos conhecer o que acontece na relação, para aprendermos mais sobre nós mesmos. Caso não façamos esse caminho em direção a esse conhecimento, o mais provável é que nos separemos e façamos um novo relacionamento que tenderá a apresentar problemas similares ao anterior.

O processo: A psicoterapia do casal não tem como propósito o processo de individuação, ela apenas o tangencia – introduz o casal nesse portal ao trabalhar a relação e expor alguns aspectos puramente emocionais (inconscientes) que oferecem suporte a eventuais jogos destrutivos que acontecem na relação conjugal. Ao tangenciá-lo permite que o casal penetre nesse mundo – descubra essa nova amplitude de si mesmo - abrindo a possibilidade de uma nova etapa de crescimento.

Na terapia conjugal o centro é a relação e não os componentes do casal. É dessa forma que ela pode ser breve, não se alongando mais que alguns poucos meses (veja mais detalhes). Ela facilita que os componentes descubram motivadores de comportamentos que emergindo de impulso suportavam jogos inadequados e, dessa forma, se tornem capazes de interromper esses jogos.