Casamentos são Feitos no Céu
Written by Carlos Messa   

 

Minha vivência mostra que alcançar a “verdade” é possível. Experienciar o Tao (chinês) e o Satori (zen, Japão) é possível. Entendo também que pequenos segmentos dessa “verdade” da experiência individual estão distribuídos na realidade cotidiana e são registrados no senso comum, estando presentes nos ditos populares, nas canções de sucesso, inclusive nas popularescas. Vamos considerar esse brilho de verdade que se apegou à frase “Casamentos são feitos no céu”:

 

 

Naturalmente não trato aqui do aspecto religioso; vejo nela a afirmação de que a grande maioria das relações afetivo-sexuais duradouras se estabelece em bases que escapam à nossa consciência – acontecem suportadas por fatores emocionais impressos no inconsciente o que implica em que permaneçam abaixo do limiar da consciência. O “casamento firmado no “céu”” equivale a dizer que há razões para essa ocorrência que estão “acima” da nossa compreensão (melhor dizendo: abaixo ou fora do âmbito consciente).Esse é um segmento da verdade – os vínculos são estabelecidos no campo emocional e os porquês reais não são alcançados pela nossa consciência.

 

Partindo dessa “verdade” podemos concluir que todos os casamentos são feitos “corretamente” porém infelizmente não é verdade que todas as separações são “incorretas”. Durante o casamento “muita água passa por baixo da ponte” – as pessoas evoluem e pode acontecer de que essa mudança ocorra em um só dos cônjuges, o que desfaz ou no mínimo provoca alterações no vínculo emoção-emoção como, por exemplo, em um casamento complementar entre o instinto sádico e o masoquista, que pode se desfazer caso apenas um deles evolua – caso o sádico perca a necessidade de fazer alguém sofrer, já não terá utilidade para o masoquista. Dessa forma podemos idealizar que os componentes de um casal “cresçam” juntos ou, ao menos, que o crescimento de um dos componentes da “parelha” gere uma crise e esta tenha como conseqüência o crescimento do outro componente do casal.

A terapia de casal freqüentemente tem como origem uma crise na relação. Essa crise, considerando que “o casamento foi feito no céu”, pode ocorrer por alterações nas bases que firmaram inicialmente o vínculo e isso não indica necessariamente que “o amor acabou”, e sim que ele mudou de posição e pode ser reencontrado caso os componentes do casal ousem mover-se do seu ponto confortável de equilíbrio (o que muitas vezes significa “evoluir”).“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha...” e o conflito constante de um casal pode ocorrer não pela mudança interna de apenas um dos componentes, mas também pela constatação de que aquela relação já esgotou as possibilidades de exploração e, se não houver uma evolução, não há nada mais a ser alcançado com ela. Também nestes casos é comum a ocorrência da separação, porém ela não precisa ocorrer necessariamente; a alternativa é promover as mudanças – elevar a relação para um novo patamar.

A relação afetivo-sexual duradoura é, conforme tratei em outros textos, um processo que nos leva a um “crescimento” pessoal.