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| Sexo: Moeda de Troca? |
| Written by Carlos Messa | |||
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O impulso sexual é fundamental à vida e, no ser humano, a atividade sexual se revestiu de roupagens belas, caras e complexas.
Além da função reprodutiva, as relações sexuais propiciam do mais simples e concreto prazer, aos mais elevados sentimentos de integração com o “outro” (o que nos completa, o que legitima nossa existência). A objetividade que a sociedade atual exige de nós ressalta a importância primeira (e menor?) da atividade sexual: o prazer. Apenas como meio de satisfação física pode-se admitir a importância da atividade sexual, porém esse é o aspecto mais pobre, se comparado ao seu potencial de gratificação. Talvez também pela objetividade e imediatismo, o sexo expande sua função de “moeda de troca” às pessoas dos mais diversos níveis de informação e de compromisso relacional. Na relação conjugal esse fator era, na era moderna até o meio do século passado, regulado pela distinção dos papéis entre os gêneros. Com a equiparação sócio-econômica feminina essa regulamentação caiu por terra e a atividade sexual ganhou grande destaque nas disputas intracasais. Conscientemente ou não utilizamos o sexo como moeda de troca, arma em disputas, objeto de disputa, objeto de pressão, chantagem e extorsão.Na terapia de casais não é raro que a questão sexual seja o pano de fundo de insatisfações que aparecem sob outras roupagens.Resultados de pesquisas recentes causaram polêmica ao apontar o elevado índice de mulheres que disseram preferir um pedaço de chocolate à uma relação sexual. À primeira vista esse resultado confirma um débito feminino no conceito padrão masculino que se afirma como portador de necessidade sexual mais intensa e frequente. Um olhar mais atento revela no entanto que a mulher freqüentemente se ressente da desatenção do cônjuge mesmo que se mostre com menor disposição para a relação sexual. Paralelamente não é difícil encontrar também homens que optam pela cerveja com os amigos ao invés de um relacionamento mais íntimo e/ou intenso com sua companheira.A mulher, como um desafio, revela que prefere chocolate ao sexo porém, já há algumas décadas, o homem vem priorizando o trabalho – o peso e importância deste suplanta significativamente a vida familiar - sob uma justificativa aparentemente óbvia mas distorcida, de que o trabalho é “para” a família, como se fossem campos mutuamente excludentes. Nessa guerra entre os gêneros deveríamos incluir o fato do número de homens que optam por fazer sexo com outros homens ser muito superior ao de mulheres que optam por relações homossexuais.
O que está acontecendo? Talvez seja o momento de observar a vida conjugal com mais atenção (e afeto).
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