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Mesmo diante de uma crise aguda ou da percepção de deterioração do relacionamento e/ou insatisfação de um ou ambos os componentes do casal pode, em alguns casos, não haver disponibilidade emocional para assumir o processo psicoterapêutico. Como psicoterapeuta vejo o quanto a terapia de casal pode contribuir, porém se não há essa disponibilidade, recomendo:
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No Catavento, em São Paulo, há inúmeros experimentos curiosos; entre eles está o engenho da fotografia ao lado. São dois grandes carretéis colocados um sobre o outro em um eixo central. O experimento consiste em pegar o carretel superior e levantá-lo, mantendo-o no alto por alguns segundos. Em seguida pegar o carretel inferior e levantá-lo também, levando o carretel superior junto. A constatação: é mais fácil (mais leve) levantar os dois carretéis que um único!
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Foi em meio ao movimento do “amor livre” e início da “libertação feminina” que surgiram as piadas sobre a queixa feminina: - Você não me ama mais!
Os homens continuavam os mesmos com seus eixos fixados no âmbito racional o que fazia com que, apenas no curto período da paixão, demonstrassem sua emoção. Em função disso, após um determinado tempo de casados, seus comportamentos eram definidos pela razão e pela lógica.
“Você não me ama mais” era a percepção feminina
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Minha vivência mostra que alcançar a “verdade” é possível. Experienciar o Tao (chinês) e o Satori (zen, Japão) é possível. Entendo também que pequenos segmentos dessa “verdade” da experiência individual estão distribuídos na realidade cotidiana e são registrados no senso comum, estando presentes nos ditos populares, nas canções de sucesso, inclusive nas popularescas. Vamos considerar esse brilho de verdade que se apegou à frase “Casamentos são feitos no céu”:
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É bastante frequente uma perda na qualidade de vida, gradual e constante que leva a uma queda significativa do prazer de viver.
Essa perda acontece na relação com o “outro”: alguém significativo em nossa vida.
Na relação com um filho essa perda pode ser notada quando a criança já tem um razoável domínio cognitivo, isto é, já se comunica verbalmente com alguma facilidade. Nesse momento o contato direto emoção-emoção já não é tão freqüente e há, por parte dos pais ou cuidadores, uma demanda e expectativa de aprimoramento social. Os pais se tornam então mais críticos e a emoção, que comandava o relacionamento anteriormente, é substituída pelo julgamento.
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Pode acontecer de uma criança ou adolescente ficar estarrecida ao descobrir que um bebê se alimenta apenas de leite (preferencialmente o materno). Essa estupefação acontece porque quem faz essa “descoberta” consome diversos alimentos, sólidos e líquidos, de diferentes origens e propriedades nutricionais. Não nos damos conta, mas o bebê precisa também de um segundo alimento para manter-se saudável: contato humano. O bebê precisa do contato físico, de ouvir a voz, de aprender a reconhecer, a responder a seu cuidador. Sem esse segundo alimento o bebê não se desenvolve adequadamente (alguns chegam mesmo a morrer).
Esse contato humano se reveste de carinho, afeto, intimidade, emoções
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A psicoterapia de casal difere substancialmente da psicoterapia individual, não apenas por ter curta duração, mas principalmente porque se concentra prioritariamente na comunicação intra-casal.
A terapia de casal não tem então o objetivo específico de salvar o casamento e sim de possibilitar que os componentes do casal descubram padrões de comunicação que estão comprometendo os laços anteriormente criados.
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O processo de Individuação de John Lennon - um exemplo das formas de reproduzir o abandono e rejeição.
No Desenvolvimento Humano podemos identificar com facilidade o desenvolvimento normal e esperado (que pode ser adequado ou distorcido) e um desenvolvimento planejado/excepcional que visa ampliar a integração dos conteúdos emocionais (normalmente os inconscientes) à consciência.
Prefiro entender que algumas correntes da psicologia nomeiam o processo de “crescimento” que vai além do “natural” e comum: em Jung encontramos a Individuação, assim como em Szondi a Humanização (dos instintos). (Veja o olhar do menino da foto; tristeza? - abandono?).
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Um grande choque entre algumas instituições (casamento), as necessidades humanas (pertinens), e a ordem social vigente (em rápida e significativa mudança), tem provocado grandes crises conjugais e, infelizmente, os casais têm tratado essa crise como se fossem simples “questões pessoais”. Não são.
Entendendo a libido como o desejo sexual instintivo, algo mais próximo do nosso aspecto animal, ela estaria presente naturalmente em todos os indivíduos (em diferentes graus) em toda a nossa história.
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Da mesma forma que se fala em um efeito “sanfona” na obesidade e emagrecimento, também encontramos relacionamentos com esse efeito: brigas e reaproximações; separações e retornos.
Também, da mesma forma que alguém “de fora” assistindo o “emagrece-engorda”, vê que apenas remediar sem cuidar da causa não traz resultados duradouros, também nos relacionamentos afetivos apenas o amor não impede a ocorrência do “briga-reconcilia”.
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Assim como a paixão acontece abaixo do limiar da consciência, também a relação do casal se dá nesse nível. Na paixão (leia mais) podemos saber que estamos apaixonados, mas mesmo que racionalmente conheçamos “defeitos” do outro, isso não tem valor algum, não “pesa” em nossas escolhas, pois o sentimento é quem dirige a ação. A emoção está no comando.
Somos empurrados em direção ao outro por uma força desconhecida; temos sinais físicos desse impulso: o coração acelerado, a respiração arfante ou entrecortada, suores, etc..
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Terapia de casal “dá certo”?
Obviamente eu acho que sim, porém quero fazer algumas considerações sobre isso. Não podemos ver a terapia de casais como vemos uma restauração dentária, pois não estamos tratando de algo físico que pode ser manipulado com instrumentos. Dessa forma a terapia de casal “funciona” e “dá certo” em função:
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A traição surge muito antes que um eventual envolvimento com um "outro" provoque a quebra da confiança!
No século XXI, ano de 2009, li uma crítica a um filme “Intersection” na qual o colaborador do jornal acrescentava à crítica, seus valores pessoais e sua postura pretensamente “de vanguarda”, dizendo: “... Vincent ama, simplesmente, e mais de uma. Isso fere o mandamento burguês que exige coerências e desejos únicos.”.
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Não paramos para pensar nisso, mas agimos como se fosse inerente à natureza humana saber amar. Não é.
Aprendemos o apego, o afeto, a empatia em nossa primeira infância. Nossos receptores de informações do mundo externo surgem quando estamos ainda no útero e, através deles vamos aprendendo a sentir. Levamos cerca de 20 anos (mas precisamos cada vez de mais tempo) para processarmos as informações percebidas e sentimentos que elas nos provocam, de forma integrada com a nossa lógica e julgamento.
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É muito frequente a dúvida: - O amor acabou? Ou então a afirmação como sendo uma justificativa: - O amor acabou!
Não é difícil um esclarecimento.
É bem possível que na pré-história os relacionamentos surgissem por atração ou principalmente por oportunidade. Quando a humanidade se estruturou através dos poderes (físico, político, econômico, etc.), os relacionamentos passaram a surgir dos arranjos paternos. A nós, do século XX (e XXI), a sensação é de que os relacionamentos sempre surgiram “por amor”, e isso não é real. “esfriou”; nos tornamos “só” amigos; não há mais interesse sexual; não amo mais; não sou amado(a). É necessário enfrentar essa questão.
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A sociedade mudou nas últimas décadas:
Os papéis dos pais se alteraram.
O casal compartilha o orçamento doméstico.
Os filhos têm inúmeras fontes de informação e seu guia-orientador não é mais único.
A “escolinha” ocupa espaço no desenvolvimento infantil bem cedo.
A “formação” mudou.
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Sofismamos e utilizamos aparentes silogismos para, com recursos lógicos bem discutíveis, vencer disputas surdas. Naturalmente supomos que nossa interpretação é a correta, porém isso não implica em que o “outro” esteja errado. Pontos de vista não são necessariamente excludentes e não só podem como devem coexistir.
Infelizmente os pressupostos de nossas conclusões lógicas são predisposições emocionais que na maioria das vezes preferimos negar e definimos como “a verdade”, o que implica em que conclusões diferentes das nossas sejam tomadas como erradas/falsas.
Vamos ver como isso se dá através da tela de Willian Bouguereau
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A descoberta de que há uma terceira pessoa no relacionamento afetivo-sexual duradouro provoca reações intensas, muitas vezes dramáticas, e algumas vezes leva a ser considerada a qualidade do vínculo que o casal vinha mantendo.
A decepção é inevitável e o mais freqüente é que, ao menos na superfície, culpe-se alguém de traição e associe-se esta ao mau-caráter.
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